Insulina inalada no tratamento de pacientes com diabetes do tipo 2Fonte: American Family Physician Somente recentemente foi demonstrado os benefícios, a longo prazo, do controle glicêmico com terapia insulínica intensiva nos pacientes com diabetes. Normalmente, a terapia intensiva necessita de injeções freqüentes de insulina. Várias injeções diárias podem se tornar inconvenientes e demandam tempo, esforço e comunicação constante entre o paciente e o médico. Com isso, há pouca adesão ao tratamento. Uma forma alternativa de se administrar a insulina seria através dos pulmões, pois são uma grande porta de entrada para as macromoléculas no sangue. O médico Cefalu e colaboradores realizaram um estudo randomizado, aberto, para investigar a eficácia e a segurança da insulina inalada em diabéticos do tipo 2. Para o estudo, foram selecionados 26 pacientes na faixa etária de 35 a 65 anos de idade, que estavam com um regime de insulina estável, necessitando de duas a três injeções diariamente. Também não apresentavam outra doença, não fumavam e não usavam agentes antidiabéticos orais. Inicialmente, os participantes foram hospitalizados durante dois dias e receberam orientações sobre a auto-administração da insulina inalada, sob a forma de aerossol, utilizando-se formulações em pó, em doses de 1mg ou 3mg. A insulina foi, então, usada antes de cada refeição, em uma a duas inalações na dosagem apropriada para cada paciente. A única insulina de ação prolongada utilizada era a ultralenta ao deitar. Cada miligrama de insulina inalada é distribuída para a circulação de forma rápida e equivalente a três unidades de insulina subcutânea. A dose titulada de ambas as insulinas utilizadas no estudo foi indicada para atingir uma média pré-prandial de glicemia, variando entre 100 a 160 mg/dl (5.6 a 8.9 mmol/L). A insulina inalada melhorou de forma significativa o controle glicêmico, avaliado pelos níveis de hemoglobina glicosilada (HbA1c) nos participantes. Episódios hipoglicêmicos leves a moderados foram experimentados por 18 pacientes e ninguém apresentou eventos severos. Não ocorreram efeitos pulmonares adversos, nos resultados dos testes de espirometria, volume pulmonar, capacidade de difusão ou de saturação de oxigênio. Os autores concluíram que a insulina inalada parece ter uma ação mais precoce do que a insulina por via subcutânea. Demonstraram que 1mg de insulina inalada tem um pico semelhante a aproximadamente três unidades de insulina regular, permitindo o cálculo da dose inicial. O controle glicêmico pode ser obtido com uma combinação de insulina inalada e uma única dose de insulina ultralenta ao deitar. No mesmo estudo, o pesquisador Nathan apontou que a diminuição nos níveis de HbA1c foram muito modestos. De acordo ele, são necessárias doses relativamente maiores de insulina inaladas devido à absorção ineficiente a partir dos alvéolos. Talvez a questão mais importante em se atingir um bom controle glicêmico seja a manutenção de doses adequadas de insulina - geralmente 0,8 por Kg ou mais de peso corporal - mais do que a freqüência de sua administração. Nathan concluiu que as injeções freqüentes ou que a insulina inalada podem ser ótimas terapias para os pacientes com diabetes do tipo 1. Uma terapia melhor para os do tipo 2 deveria incluir uma dose de insulina maior e um início de terapia insulínica mais precoce, quando também estivesse presente o quadro de resistência insulínica. |