Direção de Automóveis e Hipoglicemia
Meus pacientes queixam-se, com relativa freqüência, de hipoglicemia durante a direção de automóveis. A maioria das vezes, trata-se de casos leves prontamente resolvidos com a ingestão de alimentos. O que me preocupa são os casos mais graves e que causam acidentes. Não sei de nenhuma estatística brasileira que considere acidentes provocados por hipoglicemia em diabéticos ou não diabéticos. Lembro-me de três casos, em especial, que me chamaram a atenção. Para início de conversa, desejo dizer que se tratava de pacientes perfeitamente identificados com a natureza do tratamento e com os cuidados que o diabético deve tomar ao dirigir um veículo automotor. O primeiro já faz algum tempo e, naquela época, ainda não dispúnhamos de métodos e equipamentos, como os modernos, que nos permitem saber a glicemia a qualquer momento. O resultado foi uma batida séria", com risco de vida para o paciente e para outros. Tratava-se de um rapaz equilibrado e ciente do controle do diabetes, mas que monitorava sua glicemia pelos testes de urina e que não reconheceu a hipoglicemia durante a direção de seu automóvel e, conseqüentemente, bateu contra a mureta na saída do Túnel Rebouças, no Zona Sul do Rio de Janeiro. Os outros dois praticavam um controle rigoroso e dispunham de equipamento para medir a glicemia capilar. Um, menos cuidadoso, não realizou a glicemia antes de assumir a direção, como eu havia recomendado. O outro, apesar de ter procedido corretamente, não reconheceu os sintomas ou, se reconheceu, não tomou as providências necessárias. O que mais me assustou foi como se desenvolveram os episódios. Em um dos casos, os sintomas foram identificados e o veículo foi estacionado. Entretanto, o paciente permaneceu no banco do motorista. Enquanto sua mãe procurava o suprimento de açúcar, o rapaz ligou novamente o veículo e deu a partida, batendo em outro carro que se encontrava estacionado do outro lado da rua. No outro caso o paciente não atendeu a irmã, que a seu lado insistia que comesse alguma coisa, e dirigiu da Barra da Tijuca, Zona Oeste, até a garagem de seu avô, em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro. O incrível é que em nenhum desses casos houve vitimas. Na verdade, acho que Deus protege os diabéticos e, se não tenho certeza se é brasileiro, tenho convicção de que é diabético. O mais importante é aproveitarmos os episódios para discutirmos qual a melhor atitude frente a este problema, que vem aumentando, para evitar as complicações secundárias. A possibilidade de hipoglicemia, quando uma pessoa diabética dirige um automóvel é obvia. Como vimos, o fundamental é tentar impedi-la. Assim, sugiro que:
Quando pressentir qualquer sinal de hipoglicemia:
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